Depois de um longo tempo afastada do blog devido ao final de período na faculdade de Psicologia, eu venho novamente escrever aqui. Antes de mais nada, deixem-me antecipar algo: Eu não me ferrei como eu disse que gostaria no post anterior, cheguei muito perto e isso bastou para que eu mudasse minha postura. Hoje eu fico feliz que tenha sido assim. Enfim, neste post eu gostaria de escrever sobre algo que meu professor de Teorias e Sistemas Psicológicos I discutiu em sala de aula com a minha turma, antes das férias, e poder relacionar este assunto com conversas que tenho tido com meus amigos e certas coisas que ando observando nos jovens e adultos de hoje em dia.
O professor de TSPI estava nos explicando sobre a diferença da estrutura psíquica Superego da época em que Freud a trouxe à luz da Psicanálise e esta mesma estrutura nos dias atuais - como Superego, irei resumir como a estrutura da mente responsável pela nossa moral e conduta, esta, sofrendo influência direta dos ideais da sociedade. Acontece que, na época em que o nosso querido Sigmund Freud criou este conceito, o Superego exigia uma conduta moral extremamente centrada, consequente e inibidora. Se você quisesse garantir um bom futuro, era prudente desde cedo se concentrar nos estudos e mais futuramente em encontrar um bom partido - um rapaz ou moça de boa reputação - para que pudesse formar sua feliz (ou não) família. Logo, o Superego dos indivíduos dessa época exigia deles uma conduta exemplar e, dizendo isso, não quero alegar juntamente que as pessoas não faziam suas devassidades porque, ah, elas faziam sim... A diferença é que elas faziam muito bem escondido e, quando não era o caso, suas ações imprudentes poderiam sujar seu nome ou o de sua família inteira.
"Meninos no escuro não vá procurar
Dirão coisas belas para depois lhe magoar
Meninos no parque se deve encontrar
Pois lá estão os mais galantes que há"
VERSINHO POPULAR, 1898
Se vocês pensam que a sociedade atual continua pregando - em sua maior parte - os mesmos valores dos sécs. XVIII, XIX e do início do séc. XX, eu venho pedir que leia o meu ponto de vista, levando em conta o que venho observado e compreendido melhor ultimamente. As pessoas hoje em dia estão cada vez mais adotando uma forma de vida estimuladora de que se colha o dia presente e se seja o menos confiante possível no futuro. (CARPE DIEM) Eu sei que todos nós podemos observar este fato sem que precisemos fazer muito esforço, inclusive venho dizer que eu tentei fazer parte deste modo de vida julgado "correto". Entendam, sei que os mais velhos dizem que esperam de nós uma boa conduta e que sejamos pessoas decentes, mas eles apenas dizem isso. Através de suas ações eles nos mostram exatamente o contrário. Posso citar como exemplo aquele pai que quer proteger sua filha do mundo para que ela seja uma moça respeitável, mas que deixa a mesma, menor de idade, fazer o que bem entende quando quer. Muitos podem considerar este um exemplo hipócrita, por isso irei usar um exemplo próprio onde posso elaborar melhor esta questão. Eu sou uma garota de dezenove anos, que cursa uma faculdade federal no momento e que passa, muitas vezes, para os adultos de sua família uma imagem de filha exemplar. Meus pais são divorciados, e sempre que vou passar um tempo na casa do meu pai eu o pego me elogiando para os amigos dele - casais com idades por volta de 33-40 anos. Esses dias mesmo, meu pai tinha bebido e começou a falar do quanto se orgulhava de mim, disse também que eu participava de concursos onde eu me vestia de personagens japoneses (cosplay) e que eu já havia ganho dois troféus. Nesta hora, eu pude ver a luz nos olhos dos amigos e amigas do meu pai se apagando. Alguns se entreolharam e deram aquele sorriso amarelado, disseram o quanto aquilo era legal e me olharam como se eu fosse de outro planeta. Em seguida, eles desviaram o assunto perguntando se eu estava namorando ou apenas "de pegação"; se eu gostava de ir nas casas de show e boates mais conhecidas na minha cidade e se eu bebia. Ao negar isso tudo, eles novamente deram aquele sorriso inicial e me olharam com cara de: "Que gracinha essa menina, mas ela deve ter algum problema de desenvolvimento para se comportar desse jeito, será que o pai dela está ciente disso?". Por isso, sofri noites sem dormir pensando se eu mesma me considerava imatura, visto que existem meninas de quinze anos que aparentam serem mais velhas que eu em suas práticas e ações, e pensando no que me tornava uma pessoa diferente delas. Dependendo do ponto de vista eu posso ser uma otária, assim como posso ser uma "boa garota", que dá no mesmo hoje em dia.
YOLO segundo o Urban Dictionary, traduzido porcamente por mim:
Abreviação de: Você só vive uma vez. A mais idiota das desculpas para algo estúpido que as pessoas fazem, também uma das mais irritantes abreviações de todos os tempos.
Exemplo: Pessoa 1: "Hey, eu ouvi falar que você engravidou aquela garota..."
Pessoa 2: "É, cara, mas, hey... YOLO!"
Queria compartilhar que eu passei por uma fase deste gênero neste último ano que me rendeu memórias engraçadas e divertidas, reveladoras até... No entanto, eu senti que muitas coisas foram vazias. Não quero dizer que você fazer uma merda aqui ou acolá, beber um pouco com os amigos ou ser um pouco inconsequente de vez em quando não é bom, é sim, e eu pratico isso até hoje. O que eu não pratico mais é essa YOLAÇÂO à todo momento, sem pensar nas graves consequências que esta pode gerar, apenas seguindo as palavras do meu Superego, que gritam a todo momento: "O que você está fazendo aí parada? GOZE! GOZE! GOZE!". Conversando com um amigo sobre as chopadas que ocorrem em nossa universidade, e que eu morria de vontade de ir, ele me contou o que presenciou em uma delas. No início foi tudo muito divertido para ele, todos bebendo, dançando e rindo. Então, chegou o momento no qual todos começaram a se pegar, quem era solteiro(a) pegava três, quem tinha namorada(o) também, e sabe-se lá mais o que ocorreu naquela noite. (Ainda assim, quero poder passar por essa experiência eu mesma.) Esse pessoal quer YOLAR durante a juventude inteira para se formar depois, ganhar um bom dinheiro no mercado de trabalho, arrumar um(a) parceiro(a) fiel e de boa conduta que vá ignorar tudo o que eles fizeram quando mais novos e criar uma célebre e feliz família. Será que isso é possível?
Gostaria muito de ouvir a opinião de quem é a favor, quem já foi adepto e não se deu muito bem e de quem é contra este novo modo de vida imposto pela sociedade. Por isso, irei pedir que os interessados em expressar-se deixassem um comentário respondendo: "Você está ou não gozando com a gente? Por que?"
Até o próximo post.
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3 comentários:
Vou deixar marcado aqui meu compromisso de fazer uma resposta seria sobre este post.
Você cutucou um dos problemas da nossa sociedade do espetáculo.
Ps.: Se souber quem sou eu, ganha um bombom de cereja.
Olá, sou novo por aqui. Li apenas esse post. Confesso que não sou de parar em blogs e fazer comentários, mas o que vc disse chamou a minha atenção.
Eu não sei definir direito o termo YOLO, embora derive de uma frase simples, parece abranger algo muito maior. É um estilo de vida que se adequa a muitas pessoas.
Vejo coisas boas e ruins nesse estilo. O modo desenfreador de encarar a vida pode acarretar danos inconsequentes. O principal deles é social: uma vez que a pessoa assume viver apenas de acordo com os seus interesses, não consegue olhar para o lado e ver que ao seu redor também há vida. O que quero dizer é que não apenas vivemos, mas coexistimos com o mundo. A constante busca pelo prazer é de ordem filosófica, mas não costuma ser natural. Existe um estudo a respeito do paradoxo da felicidade, em que se questiona a prática hedonista como única motivação. O prazer, antes de mais nada, é temporário. Essa filosofia YOLO não consegue dar conta de todas as problemáticas da vida humana. É apenas um meio moderno de dizer carpediem, como vc disse muito bem.
Insisto: não estou aqui condenando essa maneira de viver, mas a própria condição humana não permite que uma sociedade civilizada se desenvolva admitindo esta prática como absoluta. Enfim, não acho que YOLO seja ruim, só não concordo em adotar esse estilo de vida, muito menos em ser subjugado por não fazer parte desse meio.
Olá! Sinto-me contente que tenha parado e respondido o meu post, deixando-me ver o seu olhar sobre o que apresentei.
Eu realmente posso dizer que concordo com tudo o que foi dito por você, principalmente com a parte que diz respeito ao prazer ser apenas temporário e não ser possível manter-se uma sociedade saudável baseada nesse estilo de vida. Eu realmente acredito que este pode funcionar perfeitamente para alguns indivíduos, no entanto eu me pergunto até quando será desta forma. Por mais que esta seja a nova "tendência" de comportamento, a sociedade hoje - mais que nunca - sofre de uma imensa carência de responsabilidade e compromissos, por isso, em meu caso, julguei que o ideal seria manter um equilíbrio onde a consciência e o prazer pessoal e coletivo andassem de mãos dadas.
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