segunda-feira, 17 de junho de 2013

Tell everybody that you're gonna leave!

Finalmente chegou a minha hora. Agora eu sei o quanto isso é verdadeiro e sei que tenho que escutar esse chamado. Irei tentar começar a explicar com calma, mais uma vez...
Eu nasci em Niterói, uma cidade grande do Rio de Janeiro, porém fui trazida logo em seguida para uma cidade pequena e rural chamada Maricá. Hoje em dia a cidade melhorou bastante, porém continua sendo uma cidade pequena. Portanto, eu tenho cabeça de uma menina de cidade pequena e isso tem se mostrado cada vez mais nestes dois últimos anos, nos quais entrei para a faculdade particular e, logo em seguida, a federal, quando criou-se a necessidade de ir para Niterói todos os dias da semana. 
A cidade do Rio de Janeiro eu não conheço e só estive lá quando era mais nova, hoje em dia é uma parte desconhecida em meu mapa. O engraçado é que até mesmo a cidade de Niterói que frequento há quase dois anos é um lugar desconhecido, uma vez que até dentro de um dos shoppings que eu mais frequento, consigo ficar desnorteada. No início, eu passava por experiências de quase morte diariamente ao atravessar as ruas, esbarrava nas pessoas por andar totalmente desligada e todos os meus amigos mais familiarizados riam de mim, o que eu acho errado pois eu sou a garota que ainda no seu primeiro ano do ensino médio ia nas excursões da escola apenas porque o ônibus sempre parava no Mc Donald's, e isso era a atração principal para todos da minha turma! Certa vez um rapaz desta cidade me chamou para sair e eu me encontrei com ele no tal shopping que eu mais conheço. Eu realmente me senti como uma idiota porque eu não lembrava em qual andar ficavam as coisas - até mesmo hoje não lembro - e acabou que saímos de lá para ir a outro shopping e eu realmente fiquei perdida. Tipo, de verdade. Me sentia uma tonta sendo carregada por ele pela mão para cima e para baixo, sempre perguntando onde nós estávamos e tendo minha vida salva umas 100 vezes na hora de atravessar as ruas. Sele ele quisesse me sequestrar ou algo do tipo acho que eu não iria nem desconfiar. Talvez eu só seja tapada mesmo... 

Como toda garota de cidade pequena, eu tiro foto de qualquer coisa que eu ache bonita em Niterói!

Alguns dias da semana são realmente complicados porque eu fico das oito da manhã até às onze da noite em Niterói e isso realmente me deixa sem tempo e sem forças para estudar. O caso é que, neste semestre, dois amigos meus passaram e entraram para a mesma faculdade onde curso Psicologia - a UFF - e a ideia de nos mudarmos e morarmos juntos soou extremamente conveniente, embora agora ela esteja dando um pouco de dor de cabeça pela demora de sua execução. EU QUERO SAIR LOGO DAQUI!
Quando um dos meus professores disse para todos os alunos que nossas casas não tem mais nada a nos oferecer, que agora tudo o que irá nos acrescentar está do lado de fora delas, tenho que confessar que achei um pouco exagerado e grosseiro... No entanto eu consigo enxergar isso claramente agora. Eu simplesmente não suporto mais o ambiente da minha casa, é algo tão pesado... Minha mãe sempre preocupada com o trabalho, problemas dela com o meu padrasto, entre mil outras coisas... Que acabam me atingindo, queira eu ou não. 
Espero que não me levem a mal, mas, como eu disse à minha mãe esses dias, eu realmente a amo, exceto nos momentos nos quais eu quero poder ir para cima dela. Talvez pareça apenas o exagero de uma adolescente, talvez o seja de fato, porém quando eu falo para algumas pessoas sobre situações que eu tenho que suportar - situações impostas por ela - as pessoas me perguntam como eu aguento, lido, aceito e não surto com isso tudo. Pois bem, senhores, eu estou prestes a surtar. Eu estou tendo que interpretar papéis demais dentro dessa casa para satisfazer as pessoas e logo eu não saberei mais qual deles representa a minha atual situação. Pior que isso, estou com medo de voltar a interpretar papéis com as pessoas que eu gosto e sabem como eu sou, isso é algo horrível porém eu sou muito boa nisso, infelizmente. Um dia desses eu senti tanta raiva, tanto ódio que a temperatura do meu corpo subiu e tudo que eu consegui escutar durante os próximos cinco minutos foram uns zumbidos estranhos que vinham de dentro de mim. Porém eu permaneci com a expressão mais calma e fria que eu sou capaz de fazer. Não posso estourar, não agora que estou tão próxima de conseguir a minha liberdade. 
No mesmo momento que sinto essa necessidade, eu sinto medo. Não medo do desconhecido, mas medo das consequências disso tanto para minha mãe quanto para mim. Quando eu deixar essa casa, eu irei deixar de ser a entidade da garota problema presente aqui e minha mãe e meu padrasto irão ter mais tempo ainda para olhar para os próprios problemas. Eu imagino o caos que irá ser e sinto compaixão pela minha mãe, não queria que ela tivesse de passar por isso. No meu caso, eu não estou indo para a "cidade grande" em busca de meus sonhos, para me dar bem na vida ou algo do tipo, acho que eu verdadeiramente desejo me dar mal como nunca. Ultimamente minhas ações têm me mostrado que eu irei cair feio e unicamente por minha própria culpa. Eu gostaria de saber lidar melhor com isso tudo, gostaria que o meu amigo Lucas já tivesse escrito em seu blog sobre esta experiência de sair de casa, porém acho que irei aprender na cara, na coragem e no caos. Talvez este post tenha ficado realmente confuso, mas eu precisava pôr esses sentimentos para fora. Espero ver vocês com a cabeça mais leve da próxima vez! 

 Se você já tem tudo planejado,
Então sobre o que se poderia berrar?
Essa cidade do meio-oeste vai sentir sua falta...
Apenas vá em frente e faça dar certo,
Mas primeiro venha e se solte,
Grite isso alto e conte para todos que você vai partir!
(BIG CITY DREAMS - NEVERSHOUTNEVER)

Um comentário:

Lucas Aquino disse...

Pois é, Thayla, a experiência de sair de casa é algo que não posso dizer com certeza que serei capaz de te ajudar por meio do Coisas da Vida Adulta, porque as coisas que acontecem na sua casa não acontecem na minha, sabe... É uma jornada de auto-descoberta que você até pode ouvir conselhos e ser ajudada por outros, mas no fim, será apenas você contra o mundo. Eu ainda estou muito longe de sair de casa porque eu adoro a minha mãe e ela é bem compreensiva com tudo que faço ou deixo de fazer (apesar de surtar às vezes) e também porque não me vejo morando sozinho, sinto que iria quebrar um copo por dia! hahahaha

Mas saiba que o seu texto e seu blog estão ótimos e será um prazer segui-la de volta/divulgar/opinar e ler o que você tem a dizer para o mundo. No mais...

"Hang in there, babe!" e
"You're not alone."