Acho que vocês sabem como é ruim quando tem um pensamento que, por mais que vocês tentem, não quer sair das suas cabeças. Agora imaginem viver durante cinco longos meses - que passam um pouco rápido, afinal o tempo está cada vez perceptivelmente mais rápido - com o mesmo pensamento latejando em suas mentes. Música, livros, séries, mangás, atividades... Nada parece ter algum poder contra esse pensamento, muito pelo contrário, alguns trazem ele mais para perto.
Uma curiosidade sobre lembranças:
Sempre achei que lembrar das coisas era algo bom, mesmo das dolorosas.
Eu pensava que quanto mais eu lembrasse dessas coisas dolorosas enquanto fazia minhas atividades, mais rápido as lembranças iriam acabar e mais rápido não se teria mais o que lembrar. Eu estava enganada. É mesmo uma pena que a mente humana seja fã de carteirinha de associações e que uma lembrança ruim seja capaz de impregnar e ir apodrecendo todas as boas e as suas atividades, não é mesmo?
Como eu ia dizendo, fazem cinco meses - na verdade, acho que agora já devem ser quase sete - que venho carregado esses pensamentos cheios de força destrutiva, e eu realmente não sabia mais o que fazer para mudar isso, até esta última terça-feira, e eu quero compartilhar esta fórmula mágica com todos, o que vocês acham disso?! Estão prontos?
Vocês devem conhecer as Tragédias Gregas, ou ao menos o gênero "tragédia", mas irei dar uma definição apenas porque foi assim que tudo começou para mim. A tragédia nasceu e morreu no século V a.C., na Grécia. Foram peças que geravam compaixão e terror, encenações que ressaltavam o que há de mais poderoso no homem. Os heróis destas tragédias encarnavam as emoções e ela diferenciava o destino da escolha. A maior parte das tragédias eram apresentadas durantes os festivais de culto à Dionísio, onde elas concorriam entre si, algumas vezes. Elas paravam toda a cidade para que fossem assistidas, e ao sair da apresentação, a população se sentia mais aliviada - porque elas extravasavam suas emoções enquanto as assistiam. Então, acontece que eu tive uma aula maravilhosa de Motivação e Emoção sobre as tragédias durante essa semana, com uma professora juntamente maravilhosa.
Uma característica da professora de Motivação e Emoção:
Ela ama filosofia! (E Tragédias Gregas também!) Enquanto ela puder manter a matéria dela dentro da filosofia, ela o fará com gosto. Até este momento, ela ainda não conseguiu sair da parte filosófica e entrar na matéria em si. No último semestre, ela dava aula apenas sobre filosofia e ela é tão apaixonada que tinha até as Fofocas Filosóficas para nos contar toda aula sobre a vida de cada um dos filósofos, isso tornava tudo bem divertido, aqueles caras eram todos uns loucos.
Desculpa por interromper o texto para falar essas coisas mas eu realmente gostaria de compartilhar esse tipo de coisa totalmente dispensável com vocês. Continuando, a professora citou algumas Tragédias mais conhecidas e se focou em Édipo Rei de Sófocles. Eu senti o gosto amargo do arrependimento de ainda não ter lido o livro, que meu amigo Bernardo me emprestou há um tempão, e que muito menos foi devolvido. Um livro tão pequeno... Irei lê-lo esse final de semana.
Mas, para concluir esse primeiro post de retorno ao blog, o bonito de todas as Tragédias é que a maioria delas acaba em morte - ou em situações tão ruins quanto! Ok, não é isso. O herói trágico quase sempre morre e não é bem isso que é bonito, o lindo disso tudo é que os heróis sempre acabam morrendo ou em uma situação péssima porque eles aceitam os seus destinos. Eles simplesmente aceitam as merdas que aconteceram com eles, fruto de seus atos, mesmo que não seja totalmente culpa destes.
Aposto que vocês sabem desses acontecimentos, onde por alguma razão a bosta bate no ventilador e nós muitas vezes temos um discurso de: "Não foi por minha culpa, eu fiz sem pensar!", "Não me julgue, eu apenas fiz uma escolha errada!" ou até "Eu não tinha consciência dos meus atos!", entre outras variantes que eu tenho certeza absoluta de que existem. Pois bem, os heróis trágicos nunca dizem isso. Mesmo que eles não tenham culpa alguma e tenham sido "enganados" pelo destino, eles assumem os seus atos e aceitam a devida punição imposta à eles. Entendem o que isso quer dizer? Eles fizeram a escolha que fizeram porque era a única escolha que eles eram capazes de fazer naquele momento, e se eles pudessem voltar atrás, eles a fariam novamente.
Mas é aqui que eu tocarei em outro ponto importantíssimo! Para o herói grego, não existe o famoso "e se" bastante presente no nosso dia-a-dia! E é justamente esse tipo de pensamento que vem me atormentando durante todos estes sete meses! (Finalmente cheguei onde eu queria!)
Eu não vim até aqui propôr que vocês embarquem em uma viagem para o desconhecido repleto de monstros marinhos e criaturas mitológicas, abandonem suas esposas, maridos, filhos, animais de estimação... Venho aqui propôr que nós tentemos viver nossas vidas como se fossem Tragédias Gregas, sem que fiquemos pensando o que aconteceria se tivéssemos feito algo diferente, que a nossa condição atual não é nossa culpa... Porque vamos combinar que esta grande Tragédia irá acabar em morte mesmo, todos vocês sabem, não é? Eu irei tentar viver minha vida assim daqui para a frente, embora saiba que não será nada fácil, mas talvez eu consiga. ~
Quero agradecer à vocês que tiveram a paciência de ler este primeiro post até o final e dizer que estou voltando a postar do zero porque preciso organizar minha mente e minha alma para então poder seguir em frente em coisas que eu quero realmente fazer. Também quero deixar os créditos à Maya-san - que é dona de um dos blogs que eu sigo - por repaginar todo o visual do blog - que estava depressivo e pesado demais! Muito obrigada!
Até a próxima.

2 comentários:
Tragédias gregas são absolutamente fascinantes. Leia o livro, Édipo é interessantíssimo.
Viver sem focar em arrependimentos provavelmente é a fórmula da felicidade, ou, pelo menos, da não-depressão, mas é tão difícil que somos sempre tentados a desistir antes mesmo de começarmos a mudar.
Contudo, tentemos.
E não precisa agradecer. ♥
Ótimo retorno, Hachi.
Nossa, fiquei pensando nisso tbm acho que vou começar a viver a minha vida assim sem essa do "e se" . post muito bom
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